Me lembro quando fazia curso no Senai, todos os dias ia naquele bendito trem. Era o trem das 11:25, nunca mais me esqueço disso. Minha sorte era que a Nanda, uma amiga minha do mesmo bairro, ia pagando a mesma penitência. Uma fazendo companhia a outra fazia com que a gente não tentasse o suicidio ao longo das 25 estações (parando em todas, que fique claro).
Mas como tudo tem um lado positivo na vida, o trem não atrasa. Se atrasa, não atrasa demais, é coisa de minutos. Com isso, a gente via a cara das mesmas pessoas, todos os dias. Acho estranho essa relação distante que criamos com esse povo. Não sabemos nem mesmo como é a voz da pessoa, pra onde vai exatamante, onde trabalha, se é casado, se é bom pai, se mora com a mãe, mas conhecemos! E assim como voce os conhece, eles também sabem que é você. E com alguns dá até pra trocar um olhar parceiro, sabe, do tipo "oi, e aee, bom dia!". sabem que você entra na estação tal e que provavelmente está indo trabalhar ou estudar.
Lembro que tinha uma menina que entrava todo dia no Méier, sem bolsa, ás vezes de chinelo. Essa eu acho que estava indo buscar o irmão na escola. Tinha também um pai com um garotinho, identicos, que iam lendo as vezes. Acho que o pai deixava o filho na escola e ia trabalhar de lá. E é assim que acabamos rotulando todo mundo: a garota do Meier, a velhinha de Bangu, o cara alto de Osvaldo Cruz...
E acabamos por ver esses "conhecidos" com mais frequencia com que vemos nossos conhecidos mesmo, nossos amigos, aqueles que às vezes não vemos ha tempos, aqueles que, se dependesse de nós, víamos todos os dias pra falar bobagem, saber como tá, mas que por conta de um cotidiano maluco, nos conformamos em lembrar daquela frasezinha que escrevem na blusa de escola no final do ano: "amigo é como o sol: não precisamos ver todos os dias para sabermos que existe".
Agora tenho meus conhecidos do 853. E são tantas pessoas que, se fosse o caso, já dava pra juntar e fazer um amigo-oculto no mês que vem!!!
Aí, lembro de novo de uma música da Pitty, que tá inclusive na lista de trilha sonora da minha vida: "É claro que somos as mesmas pessoas/ mas pare e perceba como o seu dia-a-dia mudou/ mudaram os horários, hábitos, lugares/ inclusive as pessoas ao redor/ são outros rostos, outras vozes/ interagindo e modificando você (...)"
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