domingo, 23 de maio de 2010

Caos Urbano

Essa última semana foi a semana do tal "Megaevento da Vivo", em apoio à seleção brasileira na Copa do Mundo. E eu tinha ingressos. Mesmo sendo em plena quarta-feira, a ideia de um programinha no meio da semana me tentou e eu fui.

Só pra variar, eu me atrasei, mas tava bastante animadinha. E enquanto conversava com meu amigo Well no metrô, tão destraidamente, passa um cara, um garoto, armado, e toma o rádio de uma menina com uma ordem simples: "passa o rádio". Nesse dia, nada me aconteceu, a não ser o medo e o desespero de ter ingressos não apenas pro show no Maracanão, mas também pra assistir de camarote a violência gratuita da cidade. Até então, essa face do perigo ainda não tinha se virado pra mim. Mas sabe que eu teria ficado muito bem sem ela...

Nessa mesma semana, voltando da faculdade, vejo uma van, dessas de passageiros, que eu pego quase todo dia, parada numa calçada, e muitos curiosos em volta. Mais tarde, descobri que aki tinha acontecido um assalto, e que o coitado do motorista acabou morto...

E eu me peguei pensando: por que nossa segurança é tratada de forma tão desleixada? Por que quem deveria se preocupar com essas coisas parece não se incomodar? E a quem devemos recorrer, então?

Lembro do primeiro assalto que passei. Estava com mais duas amigas, e levaram a bolsa de uma delas, onde estava meu espelhinho de estimação e minha identidade. A outra correu. Na delegacia, o delegado me disse "se você tivesse ficado em casa vendo Altas Horas, não tinha sido assaltada!". Eu fiquei muito, mas muito indignada: EU precisava mesmo deixar as ruas limpas para assaltantes? EU precisava me privar de sair, de ver meus amigos, de dançar, de beber, de rir, e fazer tudo o que eu acho que posso? Por que? Tive que lembrá-lo que EU, Monique Siqueira, estudo a semana toda, trabalho, pago minhas contas, sou cidadã, voto, cumpro minhas obrigações, pago taxas... E disse a ele que eu não era a vilã da história, eu não era a marginal e que não merecia e não ficaria presa em casa por isso. Mas que eles, aqueles que me levaram o espelho e a identidade, sim, deveriam estar presos. E que ele, delegado, precisava me proteger e defender. Mas como esbravejar em um país onde os assaltos acontecem dentro de uma delegacia e ninguém faz nada?

Mas por mais que a violência esteja solta, também acredito que as coisas acontecem quando têm que acontecer. Não é desculpa, é a verdade. Conheço quem anda de metrô ha anos e nunca viu nada do tipo... Conheço quem perdeu casaco, carteira, celular, tudo, na esquina de casa...

Parece mesmo que estamos sós. Mas não por isso vou deixar de sair, de andar, de curtir a vida... A violência existe e sempre existiu. E me parece que vai existir sempre. É preciso ter coragem, ou fé, ou necessidade de sair ou tudo junto para encarar a vida que se mostra depois do portão de casa. Nada é fácil, e pelo jeito nada é seguro, também. Mas enquanto houver uma só pessoa em quem puder olhar com o mínimo de confiança, ainda vou sair pelas ruas: tenho fé que sempre há trigo no meio do joio.

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