sábado, 1 de maio de 2010

Futuro

Hoje me deparei observando dois grupinhos de pessoas, pessoas normais, mas que estão em etapas da vida diferentes da minha. Vi, primeiro, um grupo de meninas, bem mais novinhas. E me vi, de repente, em um momento nostalgia: lembrei quando pegava ônibus cheio junto com as minhas amigas na volta pra casa da escola, lá nos meus 11 anos. Quando eu achava o máximo andar sozinha, fazer sinal pro ônibus e ele parar pra mim, ali, tão pequenininha… Como pode o tempo passar assim, tão rápido, pela gente!

E eu me lembro que nessa época ficava imaginando como seria lindo estar com 15 anos, ter amigos mais velhos, namorar, paquerar… Como eu sonhava! Tudo seria perfeito e minha vida seria de princesa!

Vieram, enfim, os 15 anos: teve a festa, mas a melhor parte foi esperar por ela. Veio o namorado, mas ele não era o príncipe encantado, e me encheu o saco. Vieram as paqueras, mas nunca era o que eu queria, nem eu sabia o que queria! Vieram os amigos mais velhos, mas eram ainda novos, tanto quanto eu. Percebi que a tal vida de princesa não viria aos 15 anos.

E comecei a pensar que a perfeição seria os 18, talvez 19 anos. Imagine só! Estudar em uma faculdade, ter amigos de todas as idades, sair muito, ser feliz como só se é em filmes americanos, trabalhar, ser parcialmente independente. Seria o sonho. O ápice da minha vida. Vieram os 18, 19 anos. Sim, vieram os estudos, que dão mais trabalho na vida real do que no sonho. Vieram também os amigos de várias idades. Mas são pessoas, e pessoas são falhas. E eu sempre espero mais delas do que elas estão dispostas a me dar. Talvez não tão amigos como eu achava, mas amigos queridos, amados demais, mas não com toda intensidade do mundo.

Sair é sempre bom, mas há dias em que nossa casa é uma fortaleza. Nas novelas, filmes, séries, todo mundo sai mais do que o real. Sair todos os dias é algo surreal que só consigo compreender completamente hoje. Namorar é lindo, mas também, como os estudos, dá mais trabalhos do que o real. São duas pessoas diferentes, idéias e conceitos diferentes, crenças diferentes. É preciso gostar muito, entender muito, querer muito. E, além disso, saber que é essencial também ser muito gostado, ser muito entendido, ser muito querido. E, mais difícil do que juntar esses sentimentos todos por uma só pessoa é fazer com que, simultaneamente, essa mesma pessoa sinta a mesma coisa por você. Falando assim, me parece mais fácil ganhar (de novo!!) na loteria. Namorar é lindo, mas muito mais romântico e perfeito na idealização, fora dos problemas que o cotidiano se empenha em trazer.

Trabalhar, percebi logo, não seria o sinônimo de independência parcial. O que me trouxe essa liberdade, a seu tempo, foi a confiança, o respeito, a lealdade, a verdade. Tudo baseado em uma construção e não foi da noite pro dia. Percebi que talvez o tal do topo seria aos 22, 23 anos…

Hoje, olhando aquelas menininhas, vi também um segundo grupo: mulheres na casa dos trinta, aparentemente bem sucedidas, bem resolvidas, trabalhando no que gostam, sendo amigas de anos. Era a visualização da felicidade.

Me lembrei aí de todos os projetos baseados em um futuro que não me cabe. Quem sabe se ele chegará? E por que o hoje não pode ser feliz?

A vida é constante movimento, e ninguém está completamente satisfeito com a sua vida. Se não temos o que esperar, o que almejar, o que fazer, então? Pra que prosseguir?

O momento mais importante da vida é agora, e esse tal futuro é imaterial. Meus amigos, minha vida, minhas expectativas podem até não serem uma perfeição completa, mas é tudo o que eu tenho! Busco meu futuro, tento me preparar, mas enquanto ele não vem, aproveito meu presente. Agora é o ápice da minha vida, é o que eu fiz em um passado e estou colhendo hoje. Amo minha vida, como ela está. E que venha o futuro!

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